Novena de Santa Elisabete da Trindade – 3º Dia

Novena de Santa Elisabete da Trindade – 3º Dia

Tema: A Grandeza da nossa vocação

Período: 30 de outubro a 07 de novembro de 2025

 

Em nome do Pai…

É importante que nesses dias de novena você se programe para ter um local e um horário fixos para viver esse momento. Peça ao Espírito Santo essa graça…ore comigo: vem Espírito Santo ao meu coração e me concede a graça da fidelidade na oração para que eu possa viver os dons que Deus tem reservado para mim nesses dias de novena…

Ave Maria

Pai Nosso


POEMA 109 DE SANTA ELISABETE DA TRINDADE

 

Ó Senhor, eu queria derramar-me em Teu seio

Como uma gota d’água em um mar imenso.

Digna-Te destruir em mim o que não é divino

Para que minha alma, livre, se lance em Teu Ser.

É preciso que eu penetre neste lugar espaçoso,

Nesse abismo insondável e no profundo mistério

Para amar-Te, ó Jesus, como Te amam nos Céus,

Sem que nada de fora possa me distrair.

Amém. ( P 109)

 

Meditando com a Santa

 

3o dia –   A liberdade dos filhos de Deus

 

Contemplemos com Santa Elisabete da Trindade, o texto de Romanos 8, 18-21 que diz: “Penso, com efeito, que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que deve revelar-se em nós. Poia a criação em expectativa anseia pela revelação dos filhos de Deus… na esperança de ela também ser libertada da escravidão da corrupção para entrar na liberdade da glória dos filhos de Deus”.


Santa Elisabete escreve: “A alma que tem consciência da sua grandeza entra nessa santa liberdade dos filhos de Deus, de que fala o apóstolo, quer dizer que transcende todas as coisas e ultrapassa-se a si mesma. Parece-me que a alma mais livre é a que mais se esquece de si mesma, e se me perguntassem o segredo da felicidade, eu diria que é o de não fazer caso nenhum de si e de negar-se sempre. Eis uma boa maneira de fazer morrer o orgulho: sujeitá-lo à fome.” São Paulo, em Gálatas, também exorta: “todos vós, que fostes batizados em Cristo vos vestistes de Cristo” (Gl3,27); e “já não és escravo, mas filho” (Gl 4,7).


Chamados à liberdade da vida no Espírito (Rm 8), precisamos fazer memória constante de tal vocação, para que, com determinada determinação, nos aproximemos do nosso Cristo e Senhor, tornando-nos cada vez mais cientes de que Deus Trino habita em nós. São João da Cruz descreve a grande consolação que a alma encontra ao compreender que Deus a ama e jamais lhe falta (C 1, 8). Ele escreve: “Teu amado Esposo é esse tesouro escondido no campo de sua alma, pelo qual o sábio comerciante deu todas as suas riquezas (Mt 13, 44); convém pois, para o achares que, esquecendo todas as suas coisas… te esconda em teu aposento interior do espírito; e, fechando a porta sobre ti… ores a teu Pai em segredo” (cf. C 1, 8-9).

A vocação do Carmelo Teresiano está permeada desse desejo de viver em obséquio de Jesus Cristo, meditando dia e noite na sua Palavra e perseverando na oração, a permitir que o amor o conduza. O carmelita é chamado a percorrer o caminho da contemplação, caminho de despojamento e de entrega, em que o amor vai transformando e libertando o coração. S João da Cruz ensina: “a vida no espírito é verdadeira liberdade e riqueza, que traz consigo bens inestimáveis” (cf. 2N21,4).

Santa Elisabete conclui essa sua reflexão, recordando, com Santo Agostinho, que em nós existem duas cidades: a de Deus e a do EU. À medida que a primeira cresce, a segunda se enfraquece.

Reflitamos: em que cidade tenho permanecido- na cidade de Deus, na liberdade do Espírito ou na cidade do meu eu? Tenho procurado o silêncio e permanecido na presença do Senhor? Tenho buscado, sustentado pelo amor que nasce da oração, renunciar a todo impulso de orgulho e de egoísmo?

 

Oração Final

 

 Desejo habitar em tua fornalha de amor, sob a irradiação da luz da Tua face, e viver só de Ti, como na Divina Morada! Nessa doce paz que nenhum bem supera, é ali que se dará a transformação. Ali me tornarei como outro Tu mesmo, sob a condição de ter tudo perdido, por Ti, Beleza Suprema. Já não vivemos em nós quando amamos de verdade, pois sentimos a necessidade de esquecer- nos sem cessar. O coração só tem repouso e descanso depois que encontrou o objeto de sua ternura. Eis porque, Jesus, em meu amor por Ti, não desejo senão Tua Santa presença. A todo instante do dia quero sair de mim e somente sob teu olhar, imolar-me em silêncio.

Amém.

Santa Elisabete da Trindade, rogai por nós!

 

Comissão de Espiritualidade, Província São José

Ana Catarina da Santíssima Trindade, ocds

Frei César Cardoso, ocd

 

Referência Bibliográfica

 

  1. Elisabete da Trindade, Obras Completas; Ed. Loyola e Carmelitanas, SP, 2022. A Grandeza da Nossa Vocação, pg 103 – 109
  2.  1.     Teresa de Jesus; Obras completas, Ed. Loyola, SP. 1995. Caminho de Perfeição 17,6.

    2.     Da Cruz, João, Obras Completas. Ed. Vozes, RJ. 1972. Ditos de Luz a Amor, 94.

Post a Comment