JOSÉ DE NAZARÉ, HOMEM DA FORÇA DA TERNURA

JOSÉ DE NAZARÉ, HOMEM DA FORÇA DA TERNURA

Resumo e tradução:   Fr . Alzinir. Março 2016

“E
ao lado de Maria, na sagrada família de Nazaré, destaca-se a figura de São
José. Com o seu trabalho e presença generosa, cuidou e defendeu Maria e Jesus e
livrou-os da violência dos injustos, levando-os para o Egito. No Evangelho,
aparece descrito como um homem justo, trabalhador, forte; mas, da sua figura,
emana também uma grande ternura, própria não de quem é fraco mas de quem é
verdadeiramente forte, atento à realidade para amar e servir humildemente. Por
isso, foi declarado protetor da Igreja universal. Também Ele nos pode ensinar a
cuidar, pode motivar-nos a trabalhar com generosidade e ternura para proteger
este mundo que Deus nos confiou”. (Francisco, Laudato sii, 242)
Chamou-me
atenção a expressão do papa Francisco na Laudato sii que recorda S. José como o
que nos ensina o cuidado para com mundo criado que Deus nos confiou, vivido com
a ternura, virtude dos fortes. Li estes dias uma outra reflexão bonita sobre s.
José, juntamente com uma oração que poderia ter sido de José e que já apareceu
há alguns dias neste Blog. Desta reflexão faço uma síntese, partilhando com
vocês, nesta festa de S. José. Ao lado de Maria ele interceda pelo nosso país,
assim necessitado de paz e de justiça.
José
é um homem de fé que percorre a estrada da vida em subida… e  percorre-a atento aos planos de Deus e aos
outros que lhe foram confiados. Assim no-lo apresentam os Evangelhos da
infância de Jesus em Mateus e em Lucas. Conduz Maria e o Menino Jesus ao Egito
e  mais tarde de volta a Nazaré, a
Jerusalém.
Em
Mt ele é apresentado como um homem justo (Mt 1,19). Trata-se daquela justiça
que pediu Jesus a seus discípulos: a justiça do Reino procurado em primeiro
lugar; justiça que deve superar a dos escribas e fariseus para poder entrar no Reino
dos céus (Mt 5,20). Por isso a justiça de José vai além das normas externas,
colhe o espírito delas para aderir aos planos de Deus com liberdade, sem medos.
É a justiça da pessoa livre, disposta 
apagar o preço da fidelidade a si mesmo, a Deus aos outros, aos seus
afetos. É a justiça que vem da fé (Rm 4,13).
Por
outro lado, José é um homem de ação, concreto, que age eficazmente. Antes de tudo
aceita a fadiga de subir a Jerusalém com Maria, grávida e prestes a Dara à luz,
a fim de cumprir com a normativa do recenseamento. Um subir que comporta o cansaço
físico, a incerteza do que virá com este gesto inútil imposto pelos poderosos
deste mundo. Mas é uma fadiga também pela responsabilidade para com Maria e o
Menino; fadiga gerada pela insegurança dos caminhos tortuosos e íngremes;
fadiga pelo tempo e o trabalho perdidos, os quais José leva às ultimas
consequências, sem resignação, mas com concretude de ação.
José
um homem de ação porque também revela prontidão e prudência ao executar as
ordens recebidas por meio do anjo: levanta-te, toma a Mãe e o Menino, parte…
retorna;  com poucos gestos se põe a caminho
ou mesmo espera com paciência no exílio que os tempos melhorem para retornar à
pátria. Age com prudência e discernimento quando volta a Israel pois sabe que
na Judeia reina Arquelau, irmão de Herodes; advertido em sonho retira-se para a
Galileia. É a sua capacidade de discernimento sábio e prudente diante da
realidade. Tudo pelo bem dos seres que lhe foram confiados.  Enfim José é homem de ação, mesmo em Nazaré,
nas circunstâncias corriqueiras da vida em família. Aqui possibilita a Maria e
a Jesus uma vida simples, normal, de crescer, estudar, aprender uma profissão,
a de carpinteiro. Vive o trabalho na companhia de Maria e de Jesus.
Mas
José é um homem contemplativo. Os evangelhos nos permitem entrever sua atitude
de silêncio; ele não diz uma palavra. Seu calar é colocar-se confiadamente nas
mãos de Deus e esperar Nele. É incapaz de dizer palavras ofensivas a quem quer
que seja, mesmo quando lhe batem a porta na cara nas pousadas de Belém. José
nos ensina um silêncio paciente;  podemos
supor que ele, diante de tudo abençoe àqueles que o ofendem … O seu silêncio
é um silêncio adorante do Mistério escondido por séculos, mas que ele vê
presente em Jesus e custodia no silêncio do coração.
Outro
traço da contemplação de José é sua capacidade de sonhar. O sonho, a poesia faz
parte da vida dos místicos. E sabemos que o sonho aflora quando dormimos;  na bíblia revela ser uma forma de comunicação
com Deus. Deus fala a José em sonhos, como ao patriarca Jacó;  José escuta, está aberto ao divino e faz o
que ele lhe pede; confia Naquele que conduz a história e pode tudo. Mas ainda
temos uma outra característica do ser contemplativo de José: ele demonstra uma
tranquilidade e serenidade fora do comum diante de tudo o que vive. Em seu
lugar, quantas noites passaríamos sem dormir… José sabe repousar, dormir e
estar atento ao que fazer. Talvez Jesus tenha aprendido dele a dormir em meio
às tempestades, mesmo estando em um barco em alto mar…
José
é um homem de síntese, do essencial. Ele toma consigo o Menino e sua Mãe. Aqui
está toda experiência espiritual de um cristão: tomar Maria e Jesus como
companhia. Viajar com eles, caminhar com eles, trabalhar para eles; confiar
neles e com eles em Deus o Pai bondoso que é fiel e em tudo é presente.
Mas
para José, o que conta é estar com Jesus, mesmo quando sua presença se torna
incômoda e nos faz empreender viagens imprevistas, mudanças de vida
imprevisíveis. A doçura da Mãe ao seu lado torna  a vida menos amarga, doa ternura, conforto,
consolação, paz. A vida assim vivida sintetiza toda experiência cristã, até
mesmo os momentos finais do caminho. Não por acaso José é na tradição da igreja
patrono dos moribundos: nos momentos finais de sua vida foi assistido por Jesus
e Maria e partiu de seus braços aos braços misericordiosos do Pai.
S.
José não disse palavra nenhuma nos Evangelhos. Mas podemos imaginar que ele
rezava assim:
Chegará
uma outra noite, ó meu Deus
e
talvez um outro sonho ou visão.
Pedir-me-ás
de ir para longe,
Ou
para voltar para casa
Ou
ainda, para permanecer onde estou,
Porque
assim tu queres.
Levantar-me-ei
cedo como sempre
E
farei como dizes, Tu o sabes.
O
doce peso da Mãe e do Menino
Carregarei
no meu coração enamorado
E
será de novo como tu queres.
Amanhã,
e um outro dia ainda;
Ou
mesmo um ano depois de outro…
Até
a última curva de estrada.
Dir-te-ei
sim,
sem
palavra,
apenas
com um olhar.
E
cantarei feliz, sem voz
Com
o coração que explode de alegria”.
(P.
Davide Caldirola, Tempo di partire; itinerário spirituale col Vangelo di
Matteo. Ancora. Milano 2016. ­).

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