AOS IRMÃOS DE CAMINHO…
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Às vezes, podemos pensar que a unidade e a fraternidade daqueles 12 primeiros ao lado de Cristo, se construiu nos grandes momentos de pregação ao redor do Mestre. Podemos facilmente nos lembrar de quantas passagens em que há o diálogo e o ensinamento, seja com eles reunidos, seja diante de uma multidão. Sim, formaram-se família também ali.
Mas era no caminho entre uma cidade e outra; um povoado e um povoado ainda menor, que eles se faziam família. Era na partilha do pouco e do nada. No banho de riacho e na secura das terras do deserto. Na comida e na falta de comida. Nos longos trechos a vencer, juntos.
E quando Jesus começou a confiar neles, o que fez? Mandou-os de dois em dois. Assim se apoiariam, assim confirmariam que o caminho se faz com o outro, que não há caminho nesta Igreja que seja isolado, que seja de uma só visão, de uma só opinião. E o que acontecia depois? Voltavam do pó da estrada exultantes, narrando o que viram, ouviram e fizeram.
Como disse Frei Patrício Sciadini ocd, “é nosso corpo que realiza a nossa espiritualidade”: é na poeira levantada, na camisa molhada da chuva, no diálogo plenamente humano (e por isso, plenamente divino) que se dá enquanto o evangelista não está contando para nós o que vê; é nos sorrisos sem culpa, na piada quase infantil, nos momentos de decisão, na dúvida entre as rotas, no cansaço que nos consome e depois se dissipa; é assim que nos criamos unidos e mais fortes. É assim que se cria o barro novo que dá liga e forma odres prontos para o melhor vinho e o melhor azeite da colheita de Deus.
Os Discípulos de Emaús descobriram o Cristo ressuscitado ao partir do pão, mas foi no caminho que seus corações se abrasavam, se inflamavam, mesmo que eles não soubessem como nem porque: “Não se abrasava o nosso coração enquanto caminhávamos?” (Lc 24, 32)
Meus irmãos, minhas irmãs de CAMINHO – tenha você participado diretamente do grande encontro da família carmelita descalça lá em Aparecida, tenha você ficado aqui em oração pelos que foram, partilhando daqui as alegrias e notícias: é tempo de nos fortalecermos, de nos encontrarmos e nos estimularmos mutuamente.
É tempo de aproveitarmos os sulcos abertos pelo delicado lavrador Jesus em nossos corações, e aceitar a semente que o Semeador tem plantado e tem ainda a plantar em nossos corações abertos. Não deixemos passar a oportunidade. O Espírito Santo inspira-nos a ir além.
Com carinho, e com os pés sujos da mais
feliz poeira do Caminhar – seu irmão, André.