7º Dia – I Semana Missionária da OCDS

7º Dia – I Semana Missionária da OCDS



CRISTÃOS
LEIGOS, SUJEITOS DA MISSÃO!

27/10

Pela
misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em
sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: Este é o vosso culto
espiritual. Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos,
renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais
distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que
lhe agrada, o que é perfeito
” (Rm 12,1-2)

Caros
irmãos carmelitas seculares, estamos hoje finalizando nossa I Semana
Missionária da OCDS abordando o tema: CRISTÃOS LEIGOS, SUJEITOS DA
MISSÃO!

A semana
missionária tem por finalidade reavivar a nossa missão recebida no
batismo, pois todo batizado é missionário. Que o Espírito Santo
nos ilumine e nos acompanhe não só nesta semana missionária, mas
em todos os dias de nossas vidas para sermos verdadeiros discípulos
missionários de Jesus Cristo.


A
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil instituiu o Ano Nacional
do Laicato de 26/11/2017 a 25/11/2018 sob a luz do pedido do Papa
Francisco de fazer crescer “a consciência da identidade e da
missão dos leigos na Igreja”. Por ocasião de sua abertura o papa
Francisco encaminhou ao Brasil uma carta pela qual pede que todos os
leigos brasileiros se sintam animados a dar continuidade ao que chama
de nova saída missionária. Convida os católicos para que não
fiquem confinados, mas levem a palavra do Evangelho a todo o mundo.
Não se trata simplesmente de abrir a porta para que venham
participar, mas de ir ao encontro dos afastados. O papa se mostra
atento ao atual momento da história do Brasil, e pede que os
cristãos assumam a responsabilidade de ser o fermento de uma
sociedade renovada, onde a corrupção e a desigualdade deem lugar à
justiça e à solidariedade.1

O Ano do
Laicato é uma ocasião para toda a Igreja no Brasil vivenciar
intensamente esse tempo por meio de orações, celebrações e
reflexões, além de motivar uma participação maior dos leigos e
leigas na vida da Igreja e da sociedade. O tema do Ano é “Cristãos
leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do
Reino” e o lema “Sal da terra e luz do mundo”.

Desde o Concílio do Vaticano II a Igreja vem afirmando e reafirmando a dignidade e a missão fundamental dos leigos como sujeitos eclesiais, ou seja, protagonistas em sua ação evangelizadora, uma vez que, como batizados, não apenas estão na Igreja, mas são Igreja, fazendo parte do Corpo Místico de Cristo juntamente com os demais sujeitos eclesiais (religiosos, diáconos, presbíteros e bispos), sendo portanto participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, assumindo na Igreja e no mundo a parte que lhes toca naquilo que é a missão de todo o povo de Deus.2
Assim, todo cristão tem uma função como membro do Corpo Místico de Cristo e cabe a nós, como leigos, atendendo ao apelo do Ano Nacional do Laicato, tomarmos consciência de nosso identidade e assumirmos com amor a nossa missão. Dessa forma, estaremos mais fortalecidos para responder, com fidelidade, ao chamado de Cristo, e trabalhar por um mundo mais humano e fraterno. 
O Catecismo da Igreja Católica, citando Santa Teresinha, explica que é o amor que faz agir todos os membros do Corpo Místico e que é ele que nos conduz à santidade:
826. A caridade é a alma da
santidade à qual todos são chamados: «É ela que dirige todos os
meios de santificação, lhes dá alma e os conduz ao seu fim»(302):
«Compreendi que, se a Igreja tinha um corpo composto de diferentes
membros, o mais necessário, o mais nobre de todos não lhe faltava:
compreendi que a igreja tinha um coração, e que esse coração
estava ardendo de amor. Compreendi que só o Amor fazia agir os
membros da Igreja; que se o Amor se apagasse, os apóstolos já não
anunciariam o Evangelho, os mártires recusar-se-iam a derramar o seu
sangue… Compreendi que o Amor encerra todas as vocações, que o
Amor é tudo, que abarca todos os tempos e lugares … numa palavra,
que ele é Eterno» (303).3

A missão do leigo, de fato, não é nada fácil, como não é a missão de nenhum cristão. Entretanto, temos Santa Teresinha como modelo e a sua doutrina é um valioso suporte para bem cumprirmos o nosso chamado. A sua mensagem, muitas vezes sintetizada na chamada «pequena via», não é senão a via evangélica da santidade para todos.4
Assim, a exemplo de Santa Teresinha, devemos procurar buscar sempre ouvir e realizar a vontade de Deus em nossas vidas, para assim sermos agentes transformadores do mundo! Mesmo levando uma vida contemplativa na clausura de seu mosteiro, ela foi proclamada padroeira das missões pelo Papa Pio XI em 14 de dezembro de 1927, porque desejando ardentemente ser missionária, cumpriu com fidelidade a missão a que foi chamada, sendo missionária pela oração!
Como cristãos leigos, devemos procurar sempre estar bem formados, conscientes de nossa vocação e missão, atualizados com os documentos da Igreja e da Ordem, para assim podermos enfrentar com mais segurança os desafios da evangelização no mundo de hoje!
Fazendo com amor as coisas ordinárias do dia a dia em nossa família, em nosso ambiente de estudo e de trabalho e na sociedade, estaremos vivendo a “pequena via” ensinada por Santa Teresinha. Se estivermos unidos a Deus, unidos como Comunidade, Paróquia ou Diocese, e em unidade com a Igreja, conseguiremos cumprir com fidelidade nossa missão e realizar as Obras a que somos chamados!

A missão do leigo, de fato, não é nada fácil, como não é a missão de nenhum cristão. Entretanto, como carmelitas seculares, temos nosso carisma e nossa espiritualidade que são o nosso suporte para bem cumprirmos o nosso chamado. Se procurarmos buscar sempre ouvir e realizar a vontade de Deus em nossas vidas, seremos agentes transformadores do mundo!

Como carmelitas seculares, conscientes de nossa identidade laical, fazemos parte oficialmente da Ordem religiosa, participando do carisma e da espiritualidade do Carmelo Teresiano. Assim afirmam as Constituições da OCDS em seu art. 2º: 

Art. 2. A pertença à Ordem tem
suas origens na relação que se estabeleceu entre os leigos e os
membros das Ordens religiosas nascidas na Idade Média.
Progressivamente essas relações adquiriram um caráter oficial, em
vista de uma participação no carisma e na espiritualidade do
Instituto religioso, fazendo parte do mesmo. À luz da nova teologia
do laicato da Igreja, os Seculares vivem essa pertença a partir de
uma clara identidade laical.


Toda essa tomada de consciência sobre a responsabilidade do leigo na missão da Igreja que o Ano Nacional do Laicato vem buscar, reafirma o que as nossas Constituições já há muito nos interpelam, conforme se constata nos seguintes artigos:




Art. 35: A formação para o
apostolado se baseia na teologia da Igreja sobre a responsabilidade
dos leigos e a compreensão do papel dos seculares no apostolado da
Ordem ajuda a tomar consciência do lugar que tem a Ordem Secular na
Igreja e no Carmelo e oferece uma forma prática para compartilhar as
graças recebidas pela vocação carmelitana.


Art. 26. A vocação da Ordem
Secular é verdadeiramente eclesial.


Art. 27: O Carmelita Secular está
chamado a viver e testemunhar o carisma do Carmelo Teresiano na
Igreja particular, parte do povo de Deus na qual se faz presente e
atua a Igreja de Cristo. Cada um procure ser testemunho vivo da
presença de Deus e se responsabilize pela necessidade de ajudar a
Igreja na pastoral de conjunto, em sua missão evangelizadora, sob a
direção do bispo. Por esta razão, cada um tem um apostolado, seja
em colaboração com outros na comunidade, seja individualmente.


28. Em seu compromisso
apostólico, levará a riqueza de sua espiritualidade, com os matizes
que confere a todos os campos da evangelização: missões,
paróquias, casas de oração, Institutos de espiritualidade, grupos
de oração, pastoral da espiritualidade. Com seu aporte peculiar
como leigos carmelitas, poderão oferecer ao Carmelo Teresiano
impulsos renovados para “encontrar válidas indicações para novos
dinamismos apostólicos”, com fidelidade criativa a sua missão na
Igreja.

Nosso Padre Geral, Frei Savério Canistrà, em sua carta enviada à OCDS em 19 de março de 2018, já nos admoestava à tomada de consciência da nossa identidade, ou seja, termos consciência de que somos membros da Igreja, leigos, vinculados à Ordem Carmelita compartilhando o mesmo carisma com os frades e as monjas, que temos personalidade jurídica com direitos e deveres, que temos autonomia no governo e na formação e que somos chamados a viver em colaboração com a missão da Igreja e da Ordem:

Ter clareza da própria
identidade e de seus elementos fundamentais permite enfrentar a
realidade interna e externa com valentia e parresía, e torna
possível viver o chamado à OCDS com a determinação profética de
quem caminha com decisão para “o alto do Monte, que é Cristo”,
como “testemunhas da presença de Deus” (CC 25) em meio ao
seu povo.


2. Um elemento comum,
fundamental na compreensão da identidade de todos os membros da
Ordens é a consciência
de ser membro da Igreja
,
povo de Deus e mistério de comunhão (cf.
LG cap. II; ChL 8)
.


Como católicos e carmelitas,
somos chamados a viver “em obséquio de Cristo” (Regra 2),
graças à pertença eclesial, fundada no Batismo e na Confirmação
e alimentada constantemente pela Eucaristia e pela graça dos demais
sacramentos.


Mais especificamente ainda, a
vocação de vocês como cristãos leigos no Carmelo teresiano é
caracterizada pela “secularidade“.
E o chamado a seguir Jesus no meio do mundo, a viver e testemunhar aí
os valores do Evangelho em “amizade com Aquele que sabemos que
nos ama” (V 8, 5), servindo a Igreja e ordenando as realidades
temporais segundo a vontade de Deus (cf. LG 31; ChL 15; CC 3).


Desenvolver com atitude de fé,
esperança e caridade as tarefas diárias na família, no trabalho e
em outras realidades culturais e sociais permite que vocês vivam a
constante união com Deus e, portanto, santifiquem-se. Isso é
possível, recordamos, graças à participação nos três ofícios
de Cristo sacerdote, profeta e rei (cf. LG IO. 34.36; ChL 14; cf. CC
Proêmio; 1).


3. Em segundo lugar, dentro
da Ordem dos Carmelitas Descalços, o
Carmelo Secular tem um vínculo histórico com os religiosos

(cf. CC 2). O reconhecimento desse vínculo por parte do Magistério
confere-lhe estabilidade do ponto de vista jurídico. As
Constituições OCDS afirmam que vocês fazem parte do núcleo da
Ordem, junto com as monjas e os frades: “são
filhos e filhas da Ordem de Nossa Senhora do Monte Carmelo e de Santa
Teresa de Jesus” e “compartilham com os religiosos o mesmo
carisma”
(CC
Proêmio; l
).



Além disso, a OCDS foi
reconhecida e aprovada pela Igreja como associação pública de
fiéis (cf. CC 37; CIC
can. 303)
, em virtude
da qual vocês têm personalidade jurídica, que os constitui
sujeitos com direitos e deveres na Igreja
(CC 40; CIC cân. 116. 113. 301-315).



Embora dependam juridicamente dos
frades carmelitas descalços (CC 41), vocês gozam de autonomia no
governo e na formação, tal como foi estabelecido pelos documentos
que regem a OCDS.


Por último, como recordei na
carta que lhes dirigi ano passado, vocês são chamados a viver em
colaboração com a missão da Igreja e da Ordem em suas diversas
expressões, especialmente no campo da promoção da vida espiritual
(cf. CC 25-28).

Queremos vivenciar assim o Ano Nacional do Laicato de forma consciente e comprometida, correspondendo aos objetivos propostos pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e pelo CNLB (Conselho Nacional do Laicato do Brasil), bem como ao que preconiza nossas Constituições: Assim, com seu testemunho de comunhão fraterna conforme o carisma teresiano, a Comunidade do Carmelo Secular coopera com a missão evangelizadora da Igreja no mundo (Constituições da OCDS, art. 24-d). Como Seculares, filhos e filhas de Teresa de Jesus e João da Cruz, estão chamados a “ser perante o mundo testemunhas da ressurreição e vida do Senhor Jesus e sinal do Deus vivo”, mediante uma vida de oração, de um serviço evangelizador e por meio do testemunho de uma comunidade cristã e carmelitana (Constituições da OCDS, Epílogo).
Entretanto, devemos sempre lembrar que não fazemos nada por nossas próprias forças, mas somos instrumentos nas mãos de Deus que se utiliza de nós, capacitando-nos e iluminando-nos mesmo na nossa fraqueza e miséria, para que Sua Graça se manifeste em nós e através de nós! “O elevador que deve elevar-me até o Céu”, dizia Teresinha, “são vossos braços, ó Jesus” (Manuscrito B, 3v).
Que neste Ano Nacional do Laicato Santa Teresinha, Padroeira das Missões, e todos os santos do Carmelo intercedam por cada um de nós, cristãos leigos, para que, conscientes de nossa identidade e do nosso papel na Igreja, possamos ser verdadeiramente carmelitas descalços seculares missionários, enriquecendo a Igreja e a sociedade com a nossa secularidade e assim cumprir nossa missão de ser sal e luz no mundo!


Luciano Dídimo Camurça Vieira
Luciano de São José, ocds
Presidente Provincial da OCDS (2016-2019)
A paz esteja com vocês. Assim como o Pai me enviou, 

eu também envio vocês” (1Jo, 20, 21)



Oração
do Mês Missionário
Deus Pai,
Filho e Espírito Santo, nós Vos louvamos e bendizemos pela Vossa
comunhão, princípio e fonte da missão. Ajudai-nos, à luz do
Evangelho da paz, testemunhar com esperança, um mundo de justiça e
diálogo, de honestidade e verdade, sem ódio e sem violência.
Ajudai-nos a sermos todos irmãos e irmãs, seguindo Jesus Cristo
rumo ao Reino definitivo. Amém.

______________________________________________________
1
Novena Campanha Missionária 2018 das Pontifícias Obras
Missionárias
2
Catecismo da Igreja Católica, 873
3
Catecismo da Igreja Católica, 826
4
Carta Apostólica «Divini Amoris Scientia» de João Paulo II, 2

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