5º DIA – I Semana Missionária da OCDS
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CASA COMUM E CULTURAS
25/10/18
Em se tratando de nossa vocação no âmbito da nossa casa comum e das culturas logo nos vem a memória o documento do Vaticano II a Dei Verbum já nele a Igreja reconhece a semente do verbo em todas as culturas, e após 50 anos o Papa Francisco nos exorta através de sua Encíclica, Laudato si, para o cuidado com a casa comum, pois é a sementes do verbo uma vez germinada que nos faz acolher o dom de termos uma casa comunitária.
Assim, como podemos olhar para nossa vocação de carmelitas e nos darmos contas que a presença do nosso carisma está presente nos cinco continentes desta grande casa comum? Como nossa vocação saiu da Espanha e se espalhou? Como que nossa espiritualidade foi atraindo pessoas de diversas culturas, línguas, raças e nações? Pessoas que uma vez tendo encontrado Jesus não hesita em partir, com coragem, ousadia e destemor ousaram ir para além do conhecido, estabelecer em outras terras nossa espiritualidade.
E o que encontramos nas culturas diversas? Várias formas de se manifestarem, formas diferentes de viverem, a cultura é uma marca indelével de um povo, marcado por suas tradições, conhecimentos, habilidades dentre tantas outras características.
Nossa fé abraâmica nos revela um Deus criador e no cumprimento salvifico Jesus nos diz que Esse Deus é Pai, não Pai de alguns, mas de todos, de modo que o Deus Pai Criador criou-nos e nos pôs numa “casa” que podemos chamar de Casa Comum como afirma o documento Laudato Si. Uma falsa esperança depositada numa confiabilidade econômica chamada de globalização baseada em interesses particulares, nos distanciou e de alguma forma nos deixou entorpecidos tomando um caminho de destruição do dom de Deus.
A ideia de casa nos remete a uma família. É a casa comum, sim reflexo também de nossa casa, de nosso grupo e de nossa comunidade. Formada por pessoas diversas que necessitam saber que são acolhidas e que o que desejamos é uma vivência plena com a dignidade de filhos de Deus.
Um carmelita não fecha os seus olhos para o mundo da cultura, o carmelita é um homem e uma mulher que em tudo ver a oportunidade de falar do seu amor por Jesus. Termos um compromisso com o valor integral da pessoa humana. E que faz parte também uma boa formação, por isso que nossos documentos nos fala de uma formação Humana, Doutrinal, Espiritual e Carmelitana.
Olhando para nos nossos santos quanta riqueza humana temos: Poetas, Dramaturgos, Escritores, Pintores, Artesãos, Ensaístas. Ser santo é viver bem nossa humanidade. Nossa mãe Teresa nos dá o exemplo, com sua castanhola trasborda de alegria a vida comunitária, Santa Madre neste último mês foi declarada patrona dos jogadores de xadrez. E o que dizer de Santa Teresinha com todo seu envolvimento nas peças teatrais dos recreios comunitários, No âmbito de nossa comunidade o que nós temos feito para levar cultura para nossos irmãos?
Como nossa província é rica de talentos, temos: poetas, atores e atrizes, cantores, compositores, músicos, artesãs, escritores, sapateadores, bailarina, quanta coisa podemos fazer. Que nossas comunidades e grupos possam se abrir ao mundo das artes e favorecer oportunidades de num recreio comunitário irmos ao Teatro, vermos uma boa peça; Visitar um museu e conhecermos um pouco mais de nossa história; Um sarau literário, o amor é criativo.
Edith Stein, quando fala da relação entre pessoas, nos aponta o caminho concreto da construção de uma vivência comunitária, que se baseia na abertura para acolher o diferente numa relação empática, que não tem nada a ver com ser simpático, e que sem deixar de sermos quem somos em nossa pessoalidade, sabemos deixar de lado nosso ponto de vista tendo como fim o bem comum.
É necessário que nossas comunidades e grupos sejam espaços da vivência empática revelando assim uma casa comum, uma vocação comum, e àqueles que Deus chamou para essa vocação se sentirão em casa. Sem angelicalismos espiritualizantes. A nossa vida que em si já é uma bela missão é marcada por todas as realidades humanas fraquezas, fracassos, conflitos, mas também esforços, lutas e vitórias. Assim também, nossas comunidades serão marcadas bem como as culturas.
Precisamos amadurecer o entendimento de nossa vocação missionária que deve ser abrir as mais diversas culturas, compreendendo o sentido de casa comum. O Carmelo é uma grande “casa comum”, e com perdão da expressão não é a “casa da mãe Joana” nós sabemos que existe uma Mãe e que é Maria, a Senhora do lugar, aquela que ordena, que põe a casa em ordem. A missão nos faz declinar de nosso coração fechado no egoísmo e nos faz abre os olhos para as diversas necessidades dos nossos irmãos, também os de dentro de nossas comunidades e grupos.
Por fim, que essa semana missionária possa nos animar a darmos o primeiro passo, a ousar fazer diferente, e pedir luzes do Espirito Santo para que possamos com ousadia e destemor pela força do Espirito renovar a face da terra que é dom de Deus e nossa casa comum rumo à casa definitiva onde seremos um “Louvor de glória” e “cantaremos as misericórdias do senhor” no Carmelo triunfante um eterno “Laudato Si” .
Moisés da Cruz, OCDS.